sexta-feira, 26 de junho de 2015

Criticismo Histórico e a Bíblia

Michael Gleghorn
O Que é Criticismo Histórico?
Ao longo da história do Cristianismo, estudantes da Bíblia têm usado muitos métodos diferentes para interpretar o texto. Mas, desde o Iluminismo, um método particular (ou melhor, uma família de métodos) tem sido muito influente, especialmente na Academia.(1) Estou falando do que é muitas vezes chamado de criticismo histórico, ou método crítico-histórico de interpretação bíblica.
Então, o que é criticismo histórico, você pergunta. Embora o termo seja usado em diferentes sentidos, aqui eu o usarei para se referir a um método de interpretação que procura ler a Bíblia como um documento puramente humano do passado distante. Em outras palavras, o método crítico-histórico tipicamente não considera a Bíblia como divinamente inspirada. Ela é meramente um livro humano, como qualquer outro, e assim deve ser lida como qualquer outro livro.(2)
No passado (e, até certo ponto, hoje em dia também) os estudiosos gostavam de descrever este método como sendo de caráter "científico", capaz de obter resultados interpretativos "seguros" e "objetivos". Mas os críticos contam uma história diferente. Por exemplo, Eta Linnemann, que antes da sua conversão ao Cristianismo era um acadêmico e patrocinador muito respeitado do criticismo histórico, afirma que, na prática, o assim chamado caráter "científico" deste método está baseado em uma suposição a priori do naturalismo, talvez até do ateísmo. Como Linnemann observa, "a pesquisa é conduzida ... como se não existisse Deus".(3)
Outro crítico deste método é o famoso filósofo cristão Alvin Plantinga. Após repassar certos princípios de investigação histórica que muitos críticos históricos apoiariam, Plantinga nota que estes princípios são entendidos como se "impedissem" o envolvimento direto de Deus no mundo.(4) Por causa disto, ele nota, tais princípios "implicam que Deus na verdade não inspirou especialmente nenhum autor humano de um modo tal que aquilo que escreveram fosse realmente um discurso divino dirigido a nós; nem ... realizou milagres de qualquer outro tipo".(5)

Como tenho certeza de que você pode ver, ao menos alguns dos resultados deste método ocorrem simplesmente por causa das suposições que o intérprete traz para o texto. O problema, porém, é que as suposições são enviesadas contra o Cristianismo e em favor do naturalismo. Devemos, então, pensar mais criticamente a respeito do método crítico-histórico. Mas, primeiro, precisamos de um pouco de contexto sobre como e quando este método se originou.
As Origens do Criticismo Histórico
Embora muitos estudiosos tenham ajudado a desenvolver o método crítico-histórico, Johann Salomo Semler, um teólogo do século dezoito, é em grande parte considerado como seu "pai".(6) Semler estava primariamente interessado em "trabalho crítico" sobre o cânon dos escritos bíblicos.(7) Para os nossos propósitos, o "cânon" pode ser simplesmente considerado como os livros do Antigo e Novo Testamentos. A Igreja considera estes livros como a Palavra divinamente inspirada de Deus e, por isso, completamente peremptória para a fé e prática cristã.
Semler, porém, considerava estes livros (especialmente os do Antigo Testamento) como sendo em grande parte de mero interesse histórico. Eles poderiam nos dar alguma informação interessante sobre a religião do antigo Israel ou (no caso do Novo Testamento) as crenças da igreja primitiva, mas não podiam ser considerados, ao menos em sua inteireza, como a Palavra de Deus divinamente inspirada.(8) Por isso, Semler foi levado a fazer uma distinção entre "as Escrituras e a Palavra de Deus".(9) Embora a Igreja sempre tivesse considerado as Escrituras como sendo a Palavra de Deus, Semler fez uma distinção entre elas. Em sua opinião, "alguns livros pertencem à Bíblia por decisões históricas de tempos passados, mas não tornam sábio para a salvação".(10) Livros desta natureza, ele raciocinava, ainda podem ser chamados de "Escritura" (pois fazem parte do cânon bíblico), mas não são a Palavra de Deus (pois, em sua visão, não são divinamente inspirados).
Embora o criticismo histórico continuasse a se desenvolver depois de Semler, é fácil ver por que muitos o consideram como o "pai" deste método. Em seu próprio estudo da Bíblia, Semler geralmente desprezava qualquer reivindicação que ela ou a igreja pudessem fazer a respeito da sua inspiração e autoridade divina, e procurava, ao invés disso, ler a Bíblia como qualquer outro livro. Na opinião do teólogo Gerhard Maier, é "a aceitação geral" da visão de Semler que "afundou a teologia em uma interminável cadeia de perplexidades e contradições internas".(11) Antes de examinarmos essas dificuldades, porém, devemos considerar primeiro por que tantos estudiosos dão valor ao método crítico-histórico.
Alguns Benefícios Propostos do Criticismo Histórico
Para começar, virtualmente todos concordam que, quando você está tentando entender um livro da Bíblia, pode ser útil saber algo a respeito da origem do livro. Quem foi o autor? Quando ele viveu? Que tipo de coisas estavam acontecendo no tempo em que o livro foi escrito? O autor foi influenciado por alguma destas coisas, ou tentou responder a elas de algum modo? Para quem ele estava escrevendo? Como poderiam tê-lo compreendido? Responder a tais perguntas muitas vezes pode esclarecer o que o autor estaria tentando comunicar em seu livro. Os críticos históricos estão certos em ver isto como parte importante do entendimento dos livros da Bíblia. E quase todo mundo está de acordo neste ponto.(12)
Mais controversos seriam os princípios de investigação histórica originalmente propostos por Ernst Troeltsch em um ensaio escrito em 1898.(13) Estes princípios ainda são geralmente abraçados (embora com algumas modificações) por críticos históricos modernos.(14) Em poucas palavras, Troeltsch propunha três princípios que podem ser simplesmente chamados de princípios de criticismo, analogia e correlação.(15) Embora não haja uma concordância universal sobre como esses princípios deveriam ser usados na prática real da pesquisa histórica, os estudiosos crítico-históricos geralmente têm considerado esses princípios como guias úteis para avaliar criticamente o que está escrito na Bíblia, em seu esforço de determinar o que realmente aconteceu. Este é considerado um grande benefício do criticismo histórico. Pois, antes de simplesmente aceitar acriticamente as reivindicações de um autor bíblico, os princípios de Troeltsch fornecem algum auxílio em avaliar criticamente esses relatos a fim de se definir sua credibilidade.(16)
Agora, em certo sentido isto é recomendável, pois é bom buscar a verdade sobre o que a Bíblia está tentando nos ensinar. Mas há um problema sobre como esses princípios são tipicamente entedidos pelos estudiosos crítico-históricos. Como o filósofo cristão Alvin Plantinga nos lembra, esses estudiosos geralmente tomam esses princípios à exclusão de qualquer "ação divina direta no mundo".(17) Ou seja, tais princípios nos proíbem de crer que Deus tenha intervindo diretamente no mundo que Ele criou. E, para os cristãos, isto representa uma verdadeira dificuldade com o criticismo histórico.
Alguns Problemas com o Criticismo Histórico
De acordo com os estudiosos cristãos Norman Geisler e William Nix, um problema fundamental com o criticismo histórico é que "ele se baseia em um viés anti-sobrenatural injustificado, que se sobrepõe aos documentos bíblicos".(18) Isto pode ser visto facilmente ao se examinar algumas das coisas que têm sido escritas por proponentes e advogados deste método.
Por exemplo, Rudolf Bultmann, que estava interessado em "desmitologizar" o Novo Testamento, escreveu suas famosas palavras: "É impossível usar energia elétrica... e nos valermos das descobertas médicas modernas... e ao mesmo tempo crer no mundo de espíritos e milagres do Novo Testamento".(19) Semelhantemente, outro teólogo escreveu que o que quer que os autores bíblicos possam ter crido sobre tais coisas, "nós cremos que o povo bíblico viveu no mesmo" mundo que nós, ou seja, "um mundo que não transpirava maravilhas divinas, e em que nenhuma voz divina era ouvida".(20)
Agora, se perguntarmos a esses estudiosos por que devemos pensar que milagres são inacreditáveis ou impossíveis, geralmente notaremos bem rápido que as respostas são muitas vezes breves em argumentos e longas em suposições. Ou seja, tais estudiosos tipicamente apenas assumem que Deus não está diretamente envolvido no mundo, e que milagres nunca acontecem. Mas, se um Criador pessoal do universo existe (e existem bons motivos para pensar que sim), então, por que deveríamos simplesmente assumir que Ele nunca interviria diretamente no mundo que criou? Tal intervenção dificilmente pareceria impossível. E, se produzisse um efeito que não aconteceria, caso a natureza fosse deixada sozinha, então, isto poderia com muita propriedade ser considerado um milagre.
Assim, parece-me que, se um Deus pessoal existe, então, milagres são possíveis. E, se milagres são possíveis, então, não é nada mais do que "um preconceito anti-sobrenatural e injustificado" (como Geisler e Nix afirmam) simplesmente assumir que os relatos de milagres da Bíblia são todos falsos e inacreditáveis. E, visto que o criticismo histórico da Bíblia muitas vezes começa com essa suposição, parece que oferece um método inadequado para ler corretamente a Bíblia.
Uma Alternativa ao Criticismo Histórico
Tendo examinado alguns problemas com o criticismo histórico, podemos agora considerar uma alternativa preferível, a saber, a interpretação teológica.(21)
Então, o que é a interpretação teológica? Do modo como estou usando o termo aqui, é um método de ler a Bíblia como um cristão, com o propósito "de conhecer a Deus e de ser formado para a piedade".(22) A interpretação teológica exige uma explicação sóbria e séria do que o Cristianismo é, acredita e ensina. Ela procura, então, ler e interpretar a Bíblia como "uma palavra de Deus sobre Deus".(23)
É um modo radicalmente diferente de ler a Bíblia daquele praticado pelos críticos históricos. É claro que, como o teólogo Russell Reno nos lembra, "obviamente existe uma dimensão histórica" para a verdade encontrada na Bíblia. "Contudo", continua, "ser cristão é crer que a verdade encontrada na Bíblia é exatamente a mesma verdade que adentramos por meio do batismo, a mesma verdade que confessamos em nossos credos, a mesma verdade que recebemos no pão e vinho da Eucaristia".(24)
Mas o criticismo histórico procura ler a Bíblia do mesmo modo que alguém leria qualquer outro livro do mundo antigo. Ele assume que a Bíblia é meramente um livro humano. O único modo de entender realmente um livro da Bíblia, então, é tentar entender como se originou e o que o autor original estava tentando dizer.
A interpretação teológica, por outro lado, não vê a Bíblia como um livro meramente humano. É claro que ela percebe que cada um dos livros bíblicos tem um autor humano. Mas ela também insiste, juntamente com o ensino consensual da comunidade cristã, que cada um destes livros também tem um autor divino.(25) Assim, ela vê a Bíblia como um documento divinamente inspirado.
Será este um modo legítimo de ler a Bíblia? Alvin Plantinga escreveu extensamente sobre a teoria do conhecimento.(26) De acordo com ele, o estudioso bíblico que também é cristão "tem o pleno direito de assumir a crença cristã ao seguir suas investigações". Fazer isto, diz ele, é tão legítimo como assumir os princípios do criticismo histórico.(27) Na verdade, para o cristão é indiscutivelmente melhor – pois permite que leiamos a Bíblia em continuidade com a tradição e a fé que professamos e cremos.
Uma Alternativa ao Criticismo Histórico
Tendo examinado alguns problemas com o criticismo histórico, podemos agora considerar uma alternativa preferível, a saber, a interpretação teológica.(21)
Então, o que é a interpretação teológica? Do modo como estou usando o termo aqui, é um método de ler a Bíblia como um cristão, com o propósito "de conhecer a Deus e de ser formado para a piedade".(22) A interpretação teológica exige uma explicação sóbria e séria do que o Cristianismo é, acredita e ensina. Ela procura, então, ler e interpretar a Bíblia como "uma palavra de Deus sobre Deus".(23)
É um modo radicalmente diferente de ler a Bíblia daquele praticado pelos críticos históricos. É claro que, como o teólogo Russell Reno nos lembra, "obviamente existe uma dimensão histórica" para a verdade encontrada na Bíblia. "Contudo", continua, "ser cristão é crer que a verdade encontrada na Bíblia é exatamente a mesma verdade que adentramos por meio do batismo, a mesma verdade que confessamos em nossos credos, a mesma verdade que recebemos no pão e vinho da Eucaristia".(24)
Mas o criticismo histórico procura ler a Bíblia do mesmo modo que alguém leria qualquer outro livro do mundo antigo. Ele assume que a Bíblia é meramente um livro humano. O único modo de entender realmente um livro da Bíblia, então, é tentar entender como se originou e o que o autor original estava tentando dizer.
A interpretação teológica, por outro lado, não vê a Bíblia como um livro meramente humano. É claro que ela percebe que cada um dos livros bíblicos tem um autor humano. Mas ela também insiste, juntamente com o ensino consensual da comunidade cristã, que cada um destes livros também tem um autor divino.(25) Assim, ela vê a Bíblia como um documento divinamente inspirado.
Será este um modo legítimo de ler a Bíblia? Alvin Plantinga escreveu extensamente sobre a teoria do conhecimento.(26) De acordo com ele, o estudioso bíblico que também é cristão "tem o pleno direito de assumir a crença cristã ao seguir suas investigações". Fazer isto, diz ele, é tão legítimo como assumir os princípios do criticismo histórico.(27) Na verdade, para o cristão é indiscutivelmente melhor – pois permite que leiamos a Bíblia em continuidade com a tradição e a fé que professamos e cremos.
Notas
1. Gregory Dawes, por exemplo, nota que tanto o criticismo da forma como o criticismo da redação cairiam sob o guarda-chuva do criticismo histórico. Veja Gregory Dawes, "'A Certain Similarity to the Devil': Historical Criticism and Christian Faith," in Interdisciplinary Perspectives on the Authority of Scripture: Historical, Biblical, and Theoretical Perspectives, ed. Carlos R. Bovell (Eugene, OR: Pickwick Publications, 2011), 354.
2. Benjamin Jowett, "On the Interpretation of Scripture," in Josephine M. Guy, The Victorian Age: An Anthology of Sources and Documents. n.p.: Routledge, 1998. eBook Collection (EBSCOhost), EBSCOhost (accessed February 9, 2013), 295.
3. Veja Eta Linnemann, Historical Criticism of the Bible: Methodology or Ideology? trans., Robert Yarbrough (Grand Rapids: Kregel, 2001), 84.
4. Alvin Plantinga, "Two (or More) Kinds of Scripture Scholarship," in "Behind" the Text: History and Biblical Interpretation, edited by Craig Bartholomew, C. Stephan Evans, Mary Healy and Murray Rae (Grand Rapids: Zondervan, 2003), 33.
5. Ibid.
6. James C. Livingston, Modern Christian Thought: The Enlightenment and the Nineteenth Century, 2nd ed. (Minneapolis: Fortress Press, 2006), 29.
7. Ibid.
8. Peter Stuhlmacher, Historical Criticism and Theological Interpretation of Scripture: Toward a Hermeneutics of Consent (Philadelphia: Fortress Press, 1977), 38-40.
9. Edgar Krentz, The Historical-Critical Method (Eugene, OR: Wipf and Stock, 2002), 19.
10. Ibid.
11. A primeira sentença do livro de Maier declara: "A aceitação geral do conceito básico de Semler de que a Bíblia deve ser tratada como qualquer outro livro afundou a teologia em uma corrente de perplexidades e contradições internas sem fim". Veja Gerhard Maier, The End of the Historical-Critical Method, trans., Edwin W. Leverenz and Rudolph F. Norden (Eugene, OR: Wipf and Stock, 2001), 11.
12. Plantinga, fazendo eco à linguagem de Robert Gordon, admite que poderíamos nos referir à tentativa de responder a tais questionamentos como uma forma "autorizada" de criticismo bíblico histórico. Veja Alvin Plantinga, "Reason and Scripture Scholarship: A Response to Robert Gordon and Craig Bartholomew," in "Behind" the Text, 94.
13. Para os interessados neste ensaio, vejam Ernst Troeltsch, "Historical and Dogmatic Method in Theology (1898)," trans. E. Fischoff, rev. W. Bense in Religion in History-Ernst Troeltsch: Essays, trans. J. L. Adams and W. F. Bense (Edinburgh: T. & T. Clark, 1991).
14. Edgar Krentz declara: "Os historiadores contemporâneos usam os três princípios de Troeltsch, mas com significativas modificações" (The Historical-Critical Method, 56). Contudo, não parece necessário qualificar as modificações dos princípios de Troeltsch por estudiosos crítico-históricos praticantes com o adjetivo "significativas", pois (até certo ponto, na minha opinião) eles são geralmente mais severos ao avaliar criticamente as fontes com que estão lidando do que o historiador mediano é com as suas.
15. Para duas discussões muito úteis dos princípios de Troeltsch, veja a discussão de Alvin Plantinga sobre o "Troeltschian HBC" in "Two (or More) Kinds of Scripture Scholarship," in "Behind" the Text, 31-35, bem como a discussão de Gregory Dawes in "'A Certain Similarity to the Devil': Historical Criticism and Christian Faith," in Interdisciplinary Perspectives on the Authority of Scripture, 358-70. Embora Plantinga e Dawes cheguem a conclusões diferentes sobre se e como os princípios de Troeltsch podem ser legitimamente empregados, vale muito a pena ler ambas as discussões.
16. Stuhlmacher, Historical Criticism and Theological Interpretation of Scripture, 45.
17. Alvin Plantinga, "Two (or More) Kinds of Scripture Scholarship," in "Behind" the Text, 33.
18. Norman L. Geisler and William E. Nix, A General Introduction to the Bible: Revised and Expanded (Chicago: Moody Press, 1986), 440.
19. Rudolf Bultmann, "New Testament and Mythology," in Kerygma and Myth, editado by Hans Werner Bartsch (New York: Harper and Row, 1961), 5.
20. Langdon Gilkey, "Cosmology, Ontology, and the Travail of Biblical Language," reprinted in Owen C. Thomas, ed., God's Activity in the World: the Contemporary Problem (Chico, CA: Scholar's Press, 1983), 31; citado in Alvin Plantinga, "Two (or More) Kinds of Scripture Scholarship," in "Behind" the Text, 34.
21. Kevin Vanhoozer define "interpretação teológica" como "o processo de manter as práticas canônicas vivas e bem na comunidade dos crentes". Um pouco mais adiante, ele descreve uma "prática canônica" como um "uso divinamente autorizado da linguagem e literatura, que, quando aprendida, apresenta e forma a Cristo". Como exemplos de "prática canônica", ele discute, primeiro, a interpretação tipológica, ou cristológica, do Antigo Testamento à luz da pessoa e obra de Jesus Cristo e, em segundo lugar, a oração. Ele conclui sua discussão notando: "os cristãos aprendem a falar sobre, a pensar sobre, e a viver para Deus interiorizando as diversas práticas canônicas que abrangem as Escrituras. Participando de tais práticas – interpretando figurativamente, orando ao Pai, e assim por diante – os cristãos crescem na fé para o entendimento". Isto, ao meu ver, é um modo útil de explanar, em maiores detalhes, tudo o que está envolvido no conceito e prática da "interpretação teológica" da Escritura. Veja Kevin Vanhoozer, The Drama of Doctrine: A Canonical-Linguistic Approach to Christian Theology (Louisville, KY: Westminster John Knox Press, 2005), 219-226. As citações desta nota são das pp. 219 e 226.
22. Kevin J. Vanhoozer, "Introduction," in Dictionary for Theological Interpretation of the Bible, edited by Kevin J. Vanhoozer, Craig G. Bartholomew, Daniel J. Treier, and N. T. Wright (Grand Rapids: Baker Academic, 2005), 25.
23. Ibid., 23.
24. R. R. Reno, "A Richer Bible," First Things (August/September, 2010), 44.
25. Eu adoto esta linguagem de Thomas Oden que, em seu livro sobre Cristianismo Clássico, declara como sua intenção a apresentação do "ensino ecumênico consensual clássico" da igreja através da história. Veja Thomas Oden, Classic Christianity (New York: HarperCollins, 1992), xiii.
26. Veja, por exemplo, Alvin Plantinga, Warrant and Proper Function (Oxford, 1993), Warrant: The Current Debate (Oxford, 1993), and Warranted Christian Belief (Oxford, 2000).
27. Alvin Plantinga, "Reason and Scripture Scholarship: A Response to Robert Gordon and Craig Bartholomew," in "Behind" the Text, 99.

Fonte: Probe Ministries (www.probe.org)
Tradução: Rodrigo Reis de Faria

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O Que é o Islam

Rick Rood

Não é todo dia que a religião aparece como matéria de capa nos jornais atuais, particularmente com certa regularidade. Mas nos últimos 20 anos, uma religião talvez tenha sido matéria de capa mais do que qualquer outra – a religião do Islam. O Islam reivindica um bilhão de seguidores em todo o mundo. Não apenas é a religião que cresce mais rápido do mundo, mas sua influência toca virtualmente cada aspecto da vida – não apenas espiritual, mas político e econômico também. E mais, sua influência está se fazendo sentir cada vez mais perto de casa. Atualmente há quase 5 milhões de muçulmanos nos E.U.A., e mais de 1.100 mesquitas ou centros islâmicos.

O que ensina o Islam? Em que os ensinos do Islam são semelhantes aos do Cristianismo? Em que são diferentes? Qual deve ser nossa atitude em relação ao Islam, e àqueles que seguem esta poderosa religião? Estas são algumas questões que queremos tratar neste ensaio.

A História do Islam

Primeiro, queremos considerar a história do Islam. O Islam foi fundado no começo do século sétimo por Muhammed. Quando tinha 40 anos de idade, em 610 A.D., Muhammed afirmava receber mensagens de Deus. Essas mensagens foram mais tarde compiladas e registradas no Corão – o livro sagrado do Islam.

Por volta desse mesmo tempo, Muhammed começou a pregar contra a ganância, a opressão econômica e a idolatria que infestavam os árabes. Ele convocou as muitas facções árabes a se unirem sob a adoração a Allah, o deus principal do panteão árabe de divindades. Embora sua mensagem fosse inicialmente rejeitada, por volta do ano 630 ele havia conseguido obter o controle de Meca, o centro econômico e religioso da península árabe.

Embora Muhammed morresse dois anos depois, o movimento religioso-político que ele fundou rapidamente se espalhou por todo o mundo árabe, e mais além. Por volta de 750 A.D., o império islâmico se estendia da Espanha, no ocidente, até a Índia, no oriente. Nos séculos que se seguiram, o Islam penetrou mais na África e Ásia, estendendo-se até as Filipinas. Durante sua “era dourada”, o Islam reivindicava alguns dos filósofos e matemáticos mais refinados do mundo. Foi durante esse tempo também que o Islam e o Cristianismo entraram em choque como conseqüência das Cruzadas, que reclamavam a Terra Santa dos muçulmanos.

Começando por volta de 1500, e acelerando após a revolução industrial dos séculos 18 e 19, o Islam sentiu a crescente influência das potências européias. Eventualmente, grandes porções do mundo muçulmano foram colonizadas por países europeus. Esta dominação política e econômica pela Europa continuou até o fim da 2ª. Guerra Mundial, após o que os países muçulmanos começaram a obter a independência política. Com a descoberta e o desenvolvimento das vastas reservas de petróleo em muitas terras muçulmanas, a independência econômica subitamente também foi atingida. Por fim, o Islam teve em seu alcance tanto a oportunidade como os recursos para se reafirmar como uma força poderosa no mundo. Após estar na defensiva por muitos séculos, o Islam agora estava na ofensiva!

A Situação Atual do Islam

Neste ponto, devemos discutir a situação atual do Islam. Ao fazer isto, é importante perceber que o Islam não é um sistema monolítico. Embora todos os muçulmanos derivem sua inspiração de Muhammed e do Corão, muitos grupos e movimentos são identificáveis dentro do Islam.

A divisão mais óbvia é entre o Islam sunita e xiita. Os sunitas (que compõem cerca de 90% de todos os muçulmanos) derivam seu nome do fato de que consideram tanto o Corão como a “sunna” ao estabelecer a conduta muçulmana apropriada. A “suna” é o comportamento ou exemplo de Muhammed e da comunidade muçulmana primitiva. É claro que existem muitas subdivisões entre os sunitas, mas todas se identificam como sunitas.

O outro maior grupo de muçulmanos são os xiitas (que compõem cerca de 10% de todos os muçulmanos e residem principalmente no Iraque e no Irã). A palavra xiita significa “partidário”, e refere-se ao fato de que os xiitas são “partidários de Ali”. Ali foi o genro e sobrinho de Muhammed, e um dos primeiros califas ou sucessores de Muhammed como líder do povo muçulmano. Os xiitas acreditam que o líder do Islam deve estar entre os descendentes de Ali, o qual acreditam possuir uma unção divina especial para esta tarefa. O último destes líderes divinamente designados, ou “imames”, a maioria dos xiitas acreditar estar “oculto” em outro plano de existência. O aiatolá Khomeini era considerado um porta-voz deste “imam oculto”.

Um terceiro grupo que deve ser mencionado são os sufitas – os muçulmanos (tanto entre os sunitas como xiitas) que buscam mais uma experiência mística com Deus do que um conhecimento meramente intelectual acerca dEle, e que também são dados a várias práticas supersticiosas.

Além dessas divisões dentro do Islam, também se deve mencionar as atitudes entre os muçulmanos em relação ao seu contato com o mundo ocidental em tempos modernos. Embora a situação seja muito mais complexa do que sejamos capazes de lidar neste panfleto, duas tendências principais têm se evidenciado no Islam.

Uma tendência é no sentido de certo grau de acomodamento e ajuste com o Ocidente e os modos de vida modernos. Esta tem se manifestado mais obviamente em países como a Turquia, que tem instituído extensamente formas seculares de governo e modos de vida ocidentais, embora mantendo as práticas religiosas islâmicas.

A tendência oposta é no sentido de um retorno a uma abordagem mais tradicional à vida islâmica e uma rejeição dos modos ocidentais e modernos. A expressão mais extremada desta tendência é manifesta nas várias formas de fundamentalismo islâmico, que insistem na implementação da lei islâmica (chamada de Sharia) em cada aspecto da vida. Os fundamentalistas têm sido bem sucedidos na Arábia Saudita, Irã, Paquistão e Sudão; mas estão ativos virtualmente em cada país islâmico, às vezes recorrendo à violência e ao terrorismo na tentativa de implementar sua agenda.

Para compreender este poderoso movimento religioso e político, é importante conhecer as várias divisões e atitudes dentro do Islam e as crenças básicas do Islam.

As Crenças Básicas do Islam

Embora as crenças dos muçulmanos em todo o mundo sejam quase tão diversas como entre os cristãos, existem seis artigos básicos de fé comuns a praticamente todos os muçulmanos.

O primeiro deles é que não há outro Deus além de Allah. Os árabes pré-islâmicos eram politeístas. Mas Muhammed conseguiu levá-los a se dedicarem exclusivamente ao deus principal do panteão, o qual chamavam de Allah (que significa simplesmente Deus). Adorar ou atribuir a divindade a qualquer outro ser é considerado shirk, ou blasfêmia. O Corão menciona inúmeros nomes de Allah, e esses nomes freqüentemente se acham nos lábios de muçulmanos devotos que acreditam que eles possuem um poder quase mágico.

O segundo artigo de fé é a crença em anjos e jinn. Jinn são espíritos capazes de fazer tanto ações boas como más, e de possuir seres humanos. Acima do nível dos jinn estão os anjos de Deus. Dois deles são acredita-se que acompanham a cada muçulmano, um à direita para registrar as boas ações, e outro à esquerda para registrar suas más ações.

O terceiro artigo é a crença nos livros sagrados de Deus, dos quais 104 são referidos no Corão. Entre os principais estão a Lei dada a Moisés, os Salmos dados a Davi, o Evangelho (ou Injil) dado a Jesus, e o Corão dado a Muhammed. Concebe-se que cada um deles comunicava a mesma mensagem básica da vontade de Deus ao homem. Discrepâncias óbvias entre as Escrituras judaicas e cristãs e o Corão (particularmente com referência a Jesus e Muhammed) foram explicadas por Muhammed em sua sugestão de que a Bíblia foi adulterada por judeus e cristãos.

O quarto artigo de fé é a crença nos profetas de Deus, através dos quais Allah apelou ao homem para que seguisse a Sua vontade conforme revelada em Seus livros sagrados. Não há acordo quanto ao número de profetas que existiram – alguns dizem centenas de milhares. Entre eles estavam Adão, Noé, Abraão, Moisés e Jesus. Mas todos concordam que Muhammed foi o profeta de Deus final e supremo – o “selo” dos profetas. Embora o próprio Muhammed dissesse que era um pecador, existem muitos muçulmanos em todo o mundo que parecem chegar perto de adorá-lo.

O quinto artigo de fé é a crença na absoluta vontade predestinatória de Allah. Embora alguns muçulmanos tenham modificado um pouco esta doutrina, o Corão parece apoiar a idéia de que todas as coisas (tanto boas como ruins) são o resultado direto da vontade de Deus. Aqueles que concluem que o Islam é uma religião fatalista têm bom motivo para fazer isto.

O sexto e último artigo de fé é a crença na ressurreição e no juízo final. No final da história, Deus julgará as obras de todos os homens. Aqueles cujas boas ações pesarem mais que suas más ações entrarão no paraíso (retratado em termos um tanto sensuais). Os demais serão consignados ao inferno. A característica proeminente da crença islâmica, além do seu forte monoteísmo, é que se trata de uma religião de obras humanas. A posição de alguém com respeito a Allah é determinada pelo seu sucesso em guardar Suas leis.

As Práticas Básicas do Islam

Agora queremos enfocar as mais importantes dessas obras. Elas se resumem no que geralmente chamam de os “Cinco Pilares do Islam”.

O primeiro pilar é a recitação do credo: “Não há outro Deus além de Allah, e Muhammed é o seu profeta”. Acredita-se geralmente que recitar este credo na presença de duas testemunhas é constituir-se a si mesmo um muçulmano – alguém em submissão a Deus. Naturalmente, a palavra Islam significa simplesmente “submissão”.

O segundo pilar é a prática regular de orações. Os muçulmanos sunitas devem recitar orações específicas acompanhadas por movimentos específicos, cinco vezes ao dia (os xiitas fazem isto apenas três vezes por dia). Todos os muçulmanos homens também são obrigados a se reunirem para oração comunitária (e sermão) toda sexta-feira ao meio-dia.

O terceiro pilar é dar esmolas. Nascido ele mesmo órfão, Muhammed era profundamente preocupado com os necessitados. O Corão exige que 2,5% das rendas de alguém sejam dadas aos pobres ou para a propagação do Islam.

O quarto pilar do Islam é o jejum durante o mês de Ramadan (o quinto mês lunar do calendário muçulmano, durante o qual diz-se que Muhammed recebeu a sua primeira revelação de Deus, e durante o qual ele e seus seguidores fizeram sua histórica viagem de Meca para Medina). Durante este mês, os muçulmanos com boa saúde devem renunciar a todo o alimento e líquido durante as horas do dia. Este jejum promove a auto-disciplina do muçulmano, a dependência de Allah, e a compaixão pelos necessitados.

O quinto pilar é o Hajj, ou peregrinação a Meca. Se possível, todo muçulmano deve fazer uma peregrinação a Meca uma vez durante sua vida. Ela pode ser feita apropriadamente somente em alguns dias durante o último mês do ano muçulmano. O Hajj promove as idéias de unidade mundial e igualdade entre os muçulmanos. Mas também contém muitos elementos de atividades prescritas que são de origem pagã.

Um sexto pilar, o da jihad, é geralmente acrescentado (o termo significa “esforço”, ou “luta” pela causa de Deus). A jihad é o meio pelo qual aqueles que estão do lado de fora do lar do Islam são trazidos para o seu aprisco. A jihad pode ser por persuasão, ou pode ser por força ou “guerra santa”. O fato de que qualquer muçulmano que morre em uma guerra santa tem o seu lugar assegurado no paraíso fornece um forte incentivo à participação!

Os muçulmanos em todo o mundo consideram esses pilares como orientação para moldarem sua prática religiosa. Mas, em acréscimo a esses pilares, existem inúmeras leis e tradições contidas no Hadith – literatura que foi compilada após o término do Corão, a qual afirmam conter o exemplo e as declarações de Muhammed sobre muitos temas. Porque as leis do Hadith e do Corão cobrem virtualmente cada área da vida, o Islam é bem referido tanto como um modo de vida todo-abrangente, como uma religião.

Uma Perspectiva Cristã sobre o Islam

Neste ponto, é apropriado apresentar uma breve avaliação do Islam a partir de uma perspectiva cristã.

A princípio, deve-se declarar que existe muita coisa no Islam que o cristão pode afirmar. Entre as doutrinas islâmicas mais importantes que podem ser genuinamente afirmadas pelo cristão estão a sua crença em um Deus, seu reconhecimento de Jesus como nascido de uma virgem, profeta sem pecado e messias de Deus, e sua expectativa de uma ressurreição e juízo futuros.

Existem, porém, algumas áreas de diferença muito significativas. Mencionaremos apenas algumas. Primeiro, a percepção muçulmana de Deus de modo algum é a mesma que a revelada na Bíblia. O Islam retrata Deus, em última análise, como irreconhecível. Na verdade, no Corão, Allah revela a Sua vontade, mas Ele nunca Se revela a Si mesmo. Ele também nunca é retratado como um Pai para o Seu povo, como o é na Bíblia.

Segundo, embora Jesus seja apresentado como um profeta que operava milagres e messias, e inclusive sem pecado, o Islam nega que Ele seja o Filho de Deus ou o Salvador do mundo. Na verdade, nega-se que Jesus de algum modo tenha morrido, muito menos pelos pecados do mundo.

Terceiro, embora a humanidade seja descrita como fraca e tendente ao erro, o Islam nega que o homem seja um pecador por natureza e necessitado de um Salvador, como a Bíblia ensina tão claramente. As pessoas são capazes de se submeter às leis de Deus e merecer a sua aprovação final. De acordo com o Islam, a necessidade espiritual do homem não é de um salvador, mas de orientação.

Isto leva ao fato de que, como no Islam a aceitação por Deus é algo que devemos merecer por nossas obras, não é possível fornecer o senso de segurança que pode ser achado na graça de Deus, conforme ensinado na Bíblia.

Muitos de nós teremos oportunidade de ajudar vizinhos, colegas ou amigos muçulmanos. Ao fazer isto, devemos estar cientes de algumas barreiras que existem entre muçulmanos e cristãos, devido a animosidades passadas e atuais.

A atitude de muitos muçulmanos em relação ao Cristianismo e em relação ao Ocidente é colorida pela história do conflito que teve expressão nas Cruzadas e nos tempos medievais, na dominação e colonialismo europeu, assim como no apoio ocidental ao Sionismo em tempos mais recentes. Devemos permitir que o amor de Deus vença o nosso próprio medo e atitude defensiva, e penetrar essas barreiras.

Nos últimos anos, muitos muçulmanos têm sido profundamente impressionados pela compaixão demonstrada pelos ocidentais (e particularmente pelos Estados Unidos) em relação a países muçulmanos que têm sofrido severas dificuldades. Este tipo de compaixão pode ser demonstrado a nível individual também. Ao fazer isto, podemos então convidar nossos amigos muçulmanos para se unirem a nós em um estudo do Novo Testamento que revele a única fonte de aceitação diante de Deus em Seu amor e graça, expresso através do sacrifício de Seu Filho Jesus Cristo e Seu dom do Espírito Santo.



Fonte: Probe Ministries (http://www.probe.org)

Tradução: Rodrigo Reis de Faria

terça-feira, 2 de julho de 2013

Justino Mártir: Defensor da Igreja

Rick Wade


A Conversão e os Escritos de Justino

Em um artigo anterior, falei sobre as perseguições que os cristãos sofreram na igreja primitiva.(1) Uma das características surpreendentes dos cristãos perseguidos era a coragem que demonstravam a caminho da execução. De fato, somos informados por um convertido do começo do segundo século que esta coragem foi um dos fatores que o fez se abrir para o evangelho. Este convertido era um filósofo chamado Justino, com o qual você poderia estar familiarizado como Justino Mártir. Justino foi um dos primeiros apologistas, ou defensores, da igreja. O historiador da igreja Robert Grant diz que Justino foi “o apologista mais importante do segundo século”.(2) Enquanto consideramos a obra de Justino, veremos algumas semelhanças nas acusações feitas contra os cristãos de seu tempo e contra os de nosso tempo. Talvez você possa aprender alguma coisa com este cristão do segundo século.

A Vida de Justino

Acredita-se que Justino nasceu pouco depois de 100 a.D. O lugar do seu nascimento era Flavia Neapolis, na Síria-Palestina, ou Samaria.(3) A educação de Justino na infância incluiu a retórica, poesia e história. Quando jovem, ele adquiriu especial interesse em filosofia, e estudou principalmente o estoicismo e o platonismo.(4) Justino buscava a Deus, que “é o alvo da filosofia de Platão”, dizia ele.(5)

Justino foi apresentado à fé diretamente por um ancião que o envolveu em uma discussão sobre questões filosóficas e então lhe falou a respeito de Jesus. Ele levou Justino aos profetas hebreus, os quais eram anteriores aos filósofos, dizia ele, e falaram “como testemunhas confiáveis da verdade”.(6) Eles profetizaram a vinda de Cristo, e suas profecias foram cumpridas em Jesus. Justino dizia que, então, “meu espírito imediatamente se incendiou, e uma afeição pelos profetas, e por aqueles que foram amigos de Cristo, tomou conta de mim; enquanto ponderava em suas palavras, descobri que a sua filosofia era a única certa e útil ... é o meu desejo que todos tivessem os mesmos sentimentos que eu, e nunca desprezassem as palavras do Salvador”.(7) Justino procurou cristãos que lhe ensinaram a história e a doutrina cristã, e então “devotou-se totalmente à difusão e vindicação da religião cristã”.(8)

Justino continuou a vestir a capa que o identificava como filósofo, e ensinava a estudantes em Éfeso e mais tarde em Roma. James Kiefer nota que “ele se envolvia em debates e disputas com não-cristãos de todas as variedades, pagãos, judeus e hereges”.(9)

A convicção de Justino sobre a verdade de Cristo era tão completa que ele morreu como mártir em algum momento por volta de 165 a.D. Eusébio, o antigo historiador da igreja, disse que ele foi denunciado pelo cínico Crescente, com o qual se envolvera em debate pouco antes de sua morte.(10) Justino foi decapitado juntamente com seis de seus alunos.
O historiador Philip Schaff resume o caráter e ministério de Justino da seguinte maneira:

Ele havia alcançado considerável cultura clássica e filosófica antes de sua conversão, e então a tornou subserviente à defesa da fé. Ele não era um homem de gênio e acurada erudição, mas de respeitável talento, extensa leitura, e larga memória ... Ele tinha a coragem de um confessor em vida e a de um mártir na morte. É impossível não admirar sua destemida devoção à causa da verdade e à defesa de seus irmãos perseguidos.(11)

Os Escritos de Justino

O entendimento de Justino sobre o Cristianismo era filtrado pela filosofia que ele havia aprendido. O platonismo do tempo de Justino tinha uma forte inclinação teísta, e seu elevado tom moral parecia estar de acordo com o Cristianismo. Justino (e outros) conectavam o Logos da filosofia com o Logos de João, capítulo 1. O historiador Philip Schaff descreve o pensamento da seguinte maneira:

O Logos é a Razão pré-existente, absoluta, pessoal, e Cristo é a sua personificação, o Logos encarnado. Tudo o que é racional é cristão, e tudo o que é cristão é racional. O Logos dotou todos os homens de razão e liberdade, as quais não se perderam com a queda. Ele espalhou sementes de verdade antes de sua encarnação, não apenas entre os judeus, mas também entre os gregos e bárbaros, especialmente entre os filósofos e poetas, que são os profetas dos pagãos. Aqueles que viveram de modo racional e virtuoso em obediência a esta luz preparatória foram cristãos de fato, embora não de nome; enquanto aqueles que viveram de modo irracional estavam sem Cristo e foram inimigos de Cristo. Sócrates foi cristão assim como Abraão, embora não soubesse disto.(13)

Além desta fonte de verdade, Justino (e outros) acreditava que os ensinos de Moisés foram transmitidos através dos egípcios aos gregos.(14) Deus não era simplesmente conhecido através do raciocínio abstrato; Ele mesmo Se revelou pessoalmente quando falou aos profetas que, por sua vez, O revelaram a nós.(15)

Se a idéia de Justino sobre Cristo e o Logos parece estranha, devemos ter em mente que nós, também, tipicamente entendemos o Cristianismo através das categorias dos filósofos de nosso tempo. Não somos leitores completamente neutros da Escritura.

Por exemplo, em tempos modernos a ciência tem sido considerada a fonte suprema da verdade. Isto alimentou o desenvolvimento da apologética evidencial. Este é um método que enfatiza os fatos históricos e naturais como evidências em favor da fé. Mas os estudiosos passaram a entender que fatos não são as “verdades” completamente livres de valores que o modernismo ensina. Outros cristãos que objetam ao que consideram uma abordagem excessivamente racionalista têm derivado [argumentos] de filósofos existencialistas que estão mais preocupados com a condição humana. Em outras áreas, também, revelamos as idéias do modernismo em nossa vida cristã. Quantos livros de “como fazer” estão nas prateleiras de livrarias cristãs? Há uma tendência em se tomar uma atitude de “faça isto e tal e tal acontecerá” sobre o nosso desenvolvimento pessoal e espiritual. A técnica apropriada é uma noção muito modernista.

Assim, não devemos ser muito duros com Justino Mártir. Ele foi um homem de seu tempo que fez o melhor para explicar e defender as crenças cristãs usando a estrutura de pensamento com que estava familiarizado. Fazendo isto, ele foi uma força importante no desenvolvimento da teologia e apologética cristã da igreja primitiva.**

A Apologética de Justino

Cristãos Tratados Injustamente

Em suas duas Apologias, o objetivo primário de Justino era mais defender os cristãos do que o Cristianismo em si.(16) Os cristãos eram tratados injustamente; a ambição de Justino era obter tratamento justo para eles. A perseguição havia avançado a ponto de os cristãos serem merecedores de juízo simplesmente por trazerem o nome de cristãos. Seus estranhos hábitos de culto, sua recusa em participar dos cultos cívicos e do culto ao imperador, e suas crenças estranhas eram suficientes para criar um preconceito geral contra eles. Assim foi que, sob alguns imperadores e governadores locais, os cristãos podiam ser levados a julgamento simplesmente por trazerem o nome.

Cristãos e Ateísmo

Parte do problema era uma deturpação das crenças cristãs. Como os cristãos não cultuavam os deuses gregos e romanos, eles eram chamados de ateístas. Justino questionava como eles poderiam ser ateus se adoravam “ao Deus Mais Verdadeiro”. Os cristãos adoram ao Pai, ao Filho e ao Espírito Profético, dizia ele, e “prestam homenagem a eles na razão e na verdade”. Justino também assinalava a inconsistência dos governantes romanos. Alguns dos seus próprios filósofos ensinavam que não havia nenhum deus, mas eles não eram perseguidos simplesmente por trazerem o nome de filósofos. Pior ainda, alguns poetas denunciavam Júpiter, mas eram honrados por líderes do governo.(17)

Cristãos e Cidadania

Outra acusação contra os cristãos era de que eles eram inimigos do Estado. Sua falta de participação nos rituais religiosos pagãos, os quais faziam parte da vida pública cotidiana durante aqueles tempos, e a sua conversa sobre pertencer a outro reino levavam a acusações de que eles não eram bons cidadãos. Justino respondia que eles não estavam esperando um reino terreno, um que ameaçasse Roma. Se estivessem, eles não iriam para a morte tão tranqüilamente, mas fugiriam e se esconderiam até que o reino viesse sobre a terra. Além disso, ele insistia que “nós, mais do que todos os demais homens, na verdade somos os vossos auxiliares e aliados no fomento da paz”, porque os cristãos sabiam que um dia se encontrariam com Deus e prestariam contas de suas vidas.(18) “Somente a Deus adoramos”, dizia ele, “mas em outras coisas alegremente vos obedecemos, reconhecendo-vos como reis e governantes dos homens”.(19) Como um exemplo específico de que eram bons cidadãos, Justino citou que os cristãos são fiéis em pagar as taxas, porque Jesus disse que eles deveriam fazê-lo (Mateus 22:20-21). O argumento geral de Justino era de que, vivendo vidas virtuosas – algo que era altamente considerado na filosofia grega – os cristãos eram, por convicção, bons cidadãos.

A Situação Hoje

Será que este tipo de situação lhe é familiar? Hoje, trazer o nome de fundamentalista ou ser associado a um cristão famoso como Jerry Falwell ou Pat Robertson é suficiente para ser condenado como malvado, fanático, tacanho e certamente prejudicial para a sociedade.(20) Se nós cristãos apenas mantivéssemos nossa religião privada enquanto estamos em público, concordando com os sentimentos da sociedade secular, seríamos aceitáveis. A isto devemos responder como Justino, não ficando vermelhos de raiva e descendo ao nível de xingamentos, mas apresentando aquilo em que realmente cremos e mostrando que nós – e o próprio Cristianismo – na verdade não são prejudiciais para uma sociedade bem ordenada, mas, pelo contrário, são bons para ela. Poderíamos ir mais além e mostrar como a moralidade de nosso tempo é prejudicial para a sociedade. Isto poderia ser persuasivo para alguns, mas certamente não para todos – talvez nem para a maioria. Mas, esclarecendo aquilo em que cremos e por que cremos, estaremos fortalecendo a igreja, e isto é importante se, conforme penso, os fiéis são mais enfraquecidos pelo xingamento e ostracismo do que pelos ataques à doutrina.

Cristianismo como Moral

Além de serem chamados de inimigos do Estado e de ateístas, os cristãos da igreja primitiva eram acusados de se envolverem em grosseira imoralidade. Por exemplo, diziam que eles se envolviam em orgias e em canibalismo nos seus serviços de culto. Em suas apologias, Justino defendeu os cristãos como sendo, pelo contrário, pessoas de elevado caráter moral.

Por exemplo, dizia Justino, os cristãos demonstravam sua honestidade não mentindo quando trazidos a julgamento. Como eram pessoas de veracidade, eles confessavam sua fé até a morte. Eles amavam a verdade mais do que a própria vida. Os cristãos eram pacientes em tempos de perseguição, e mostravam amor até para com seus inimigos.

Esta atitude de viver de acordo com a verdade era apenas um exemplo da mudança realizada nas vidas das pessoas após a sua conversão. Certo escritor nota que esta mudança chegou a ser conhecida como “o canto triunfal dos apologistas”.(21) Justino dizia:

Nós, que outrora nos divertíamos em impurezas, agora nos apegamos à pureza; nós, que nos devotávamos às artes da magia, agora nos consagramos ao bom e incriado Deus; nós, que amávamos mais do que tudo os meios de adquirir riquezas e posses, agora entregamos a um fundo comunitário aquilo que possuímos, e o repartimos com todo o necessitado; nós, que odiávamos e matávamos uns aos outros e não tínhamos compaixão dos que eram de outra tribo por causa de seus costumes [diferentes], agora, após a vinda de Cristo, vivemos junto com eles, e oramos pelos nossos inimigos, e tentamos convencer aqueles que nos odeiam injustamente ...(22)

Justino também enfatizava o comportamento casto dos cristãos, em resposta às acusações de comportamento imoral durante o culto. Para mostrar o quanto isso estava distante da verdade, ele contou a história de um jovem que pediu a um cirurgião que o fizesse eunuco para provar que os cristãos não praticam a promiscuidade. O pedido foi negado, por isso o jovem escolheu permanecer solteiro e responsável perante seus irmãos.(23)

Uma das táticas apologéticas de Justino era contrastar aquilo de que os cristãos eram falsamente acusados de fazer, e pelo que eram punidos, com o que os romanos faziam com impunidade. Por exemplo, os cristãos eram acusados de matar crianças em serviços de culto e então consumi-las. Justino contradizia que eram os adoradores de Saturno que se envolviam em homicídio e ingestão de sangue, e outros pagãos que aspergiam o sangue de homens e animais sobre seus ídolos. Os cristãos eram acusados de imoralidade sexual, mas eram seus críticos, dizia Justino, que imitavam “Júpiter e os outros deuses em sodomia e relações pecaminosas com mulheres”.(24)

Hoje em dia, dizem que os cristãos que se opõem ao aborto odeiam as mulheres. Aqueles que acreditam que a homossexualidade está errada são chamados de mestres do ódio. Quando tentamos apresentar o nosso argumento assim como fez Justino, é difícil obter alguma atenção. Isto não quer dizer que não devamos tentar esclarecer nossas crenças ou mesmo mostrar como os críticos podem ser tão imorais quanto eles acusam os cristãos de serem.(25) O que precisamos lembrar é que um esclarecimento dos ensinamentos cristãos não é suficiente. Não foi no tempo de Justino. Considere os meios que ele listou pelos quais as pessoas eram trazidas a Cristo. Ele dizia que muitos eram “convertidos de uma vida de violência e tirania, porque eram conquistados ou pela constância da vida de seus vizinhos, ou pela estranha paciência que notavam em seus companheiros prejudicados, ou experimentando sua honestidade em assuntos de negócios”.(26) O elevado caráter moral dos cristãos, ainda que freqüentemente caluniado, é um poderoso testemunho e apologia da fé.

O Argumento de Justino em favor de Cristo

Como parte de sua defesa em favor dos cristãos diante do Imperador e do Senado romano, Justino também argumentava que o Cristianismo era verdadeiro. Isto era importante porque a razão e a busca da verdade eram altamente valorizadas pela intelligentsia romana. Como uma das acusações contra os cristãos era de que eles tinham crenças supersticiosas, devia ser demonstrado que suas crenças eram racionais. Consideremos o argumento central de Justino em favor da veracidade do Cristianismo, a saber, de que a vinda de Cristo – o Logos de Deus – fora predita através do Espírito Profético, milhares de anos antes.

O Logos Eterno

Anteriormente falei sobre como Cristo era identificado com o Logos – o locus da razão no universo – de que os filósofos falavam. Falar sobre Ele nestes termos ajudaria a obter a atenção das classes cultas de seu tempo. Como notou certo historiador, “Onde [o Logos] era mencionado, o interesse de todos era imediatamente garantido”.(27) Era importante demonstrar a racionalidade da fé, e o Logos era o locus da razão nas principais escolas da filosofia grega. Para citar novamente Philip Schaff, “o Cristianismo é a mais elevada razão” para Justino. “O Logos é a Razão pré-existente, absoluta, pessoal, e Cristo é a sua personificação, o Logos encarnado. Tudo o que é racional é cristão, e tudo o que é cristão é racional”.(28) Além de assegurar a racionalidade do Cristianismo, identificar Jesus com o Logos indicava a Sua antiguidade, o que era importante para a mente grega ao estabelecer a veracidade de uma crença. Devo notar aqui que esta ênfase na razão não deve nos levar a pensar que a fé não significasse nada para Justino. Repetidamente ele se refere à fé em suas apologias. Ele fala de termos sido curados “pela fé através do sangue e da morte de Cristo”.(29) Ele até se refere a Abraão que “foi justificado e abençoado por Deus por causa da sua fé nEle”.(30) Porém, mesmo aqui a questão do conhecimento é central, pois Justino colocava mais peso em crer nos ensinos de Cristo do que em crer no próprio Cristo.

Profecias Cumpridas

Mas por que esta afirmação sobre Jesus deve ser crida? A razão era porque Ele era o cumprimento das profecias feitas milhares de anos antes – o que provava que Ele não era apenas um homem que podia fazer magia, mas o prometido Filho de Deus. “Nós somos testemunhas reais dos eventos que aconteceram e estão acontecendo do mesmo modo em que foram preditos”, dizia ele.(31) Justino resumiu as profecias do Antigo Testamento a respeito de Cristo da seguinte maneira:

Nos livros dos Profetas, de fato, encontramos Jesus, o nosso Cristo, predito como vindo a nós nascendo de uma virgem, alcançando a maturidade, curando toda doença e dor, ressuscitando os mortos, sendo odiado, não reconhecido, e crucificado, morrendo, ressuscitando dos mortos, ascendendo ao Céu, e sendo chamado e realmente sendo o Filho de Deus. E que Ele enviaria certas pessoas a toda nação para que fizessem conhecer estas coisas, e que antes os gentios [do que os judeus] creriam nEle. Ele foi predito, na verdade, antes que realmente aparecesse, primeiro cinco mil anos antes, depois quatro mil, depois três mil, depois dois mil, depois mil e finalmente oitocentos. Pois, nas sucessivas gerações, novos profetas se levantaram vez após outra.(32)

Não somente o cumprimento da profecia era notável em si mesmo, mas também era significativo que tais profecias tivessem sido feitas muito tempo antes dos filósofos gregos, pois, diferente de hoje, a antiguidade era importante para a mente grega ao estabelecer a veracidade de uma crença.

Conclusão

Apesar de todas as fraquezas em sua teologia e apologética, Justino Mártir fornece um exemplo daqueles que levaram a sua fé muito a sério na igreja primitiva, e que buscaram ser porta-vozes do Senhor e defensores de Seu povo. Schaff diz que “[os escritos de Justino] atestam sua honestidade e seriedade, seu amor entusiástico pelo Cristianismo, e seu destemor em sua defesa contra todos os assaltos de fora e perversões de dentro”.(33) Embora possa nos parecer que, para Justino, o Cristianismo na verdade era apenas filosofia, o historiador Jaroslav Pelikan nota que a fé de Justino era alimentada mais pelo que a igreja confessava a respeito de Cristo do que pela sua própria especulação filosófica. “Ele estava, apesar disso, pronto a entregar sua vida por Cristo; e seu martírio fala mais alto, inclusive doutrinariamente, do que a sua apologética”.(34)

Referências

1. Rick Wade, Perseguição na Igreja Primitiva, Probe Ministries, Sept. 1999.
2. Robert M. Grant, Greek Apologists of the Second Century (Philadelphia: Westminster Press, 1988), 50.
3. Justino Mártir, Primeira Apologia, em Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 33.
4. James E. Kiefer, "Justin Martyr, Philosopher, Apologist, and Martyr,"justus.anglican.org/resources/bio/175.html.
5. Justino Mártir, Diálogo com Trifão, em Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 151.
6. Ibid., 159.
7. Ibid., 160.
8. Philip Schaff, Ante-Nicene Christianity: A.D. 100-325, vol. II in History of the Christian Church (Grand Rapids: Eerdmans, 1910), 714.
9. Kiefer, "Justin Martyr."
10. The Catholic Encyclopedia, s.v. "St. Justin Martyr."www.newadvent.org/cathen/08580c.htm. Vede também a própria predição de Justino acerca de sua traição na Segunda Apologia, em Writings of Saint Justin Martyr, trans. Thomas B. Falls, The Fathers of the Church (New York: Christian Heritage, Inc.: 1948), 122-23.
11. Schaff, 715.
12. Justino, Primeira Apologia, 33.
13. Schaff, 723.
14. The New Encyclopedia Britannica, 15th ed., Macropaedia, s.v. "Platonism and Neoplatonism," by A. Hilary Armstrong. Vede também Justino, Primeira Apologia, 81.
15. Catholic Encyclopedia.
16. Robert Grant acredita que foi o martírio de Policarpo [creio que o autor se refere a Inácio – nota do tradutor] em Roma que impeliu Justino a escrever ao imperador. Grant, Greek Apologists of the Second Century, 53.
17. Justino, Primeira Apologia, 37-39.
18. Ibid., 43-44.
19. Ibid., 52.
20. O leitor pode desejar ver meu artigo Not a Threat: The Contributions of Christianity to Western Society.*
21. Thomas B. Falls, em Justino, Primeira Apologia, 47, referência 2.
22. Justino, Primeira Apologia, 47.
23. Ibid., 65.
24. Ibid., 133.
25. Este tipo de discussão em geral pode ser difícil devido ao relativismo moral de nosso tempo. Um bom livro para ler que mostra que os americanos não são tão relativistas quanto parecem pensar é William D. Watkins, The New Absolutes (Minneapolis: Bethany House, 1996). Para uma apresentação resumida das idéias de Watkins' ideas, vede o meu artigo The New Absolutes.*
26. Justino, Primeira Apologia, 50.
27. Reinhold Seeberg, citado em J.L. Neve, A History of Christian Thought, vol. 1 (Philadelphia: The Muhlenberg Press, 1946), 46.
28. Schaff, 723.
29. Justin, Diálogo, 166.
30. Ibid., 183.
31. Justino, Primeira Apologia, 66.
32. Ibid., 68.
33. Schaff, 719.
34. Pelikan, 143.

© 2000, Probe Ministries.

* Sem tradução.
** O texto da Primeira Apologia pode ser lido, na íntegra, aqui.

Fonte: Probe Ministries (http://www.probe.org)

Tradução: Rodrigo Reis de Faria